Adaptação de artigo publicado no Jornal “Filhas da Pauta” em 14/04/2007

Diz o Aurélio que o voluntário é aquele “que age espontaneamente”. Perfeito, mas... creio que um pouco econômico nas palavras.
Senão, vejamos: em 2003 “agi espontaneamente” e ingressei como voluntária na Casa Ronald McDonald no Rio de Janeiro, que funciona como Casa de Apoio a Crianças e Adolescentes com Câncer.
Assim, de 2003 a 2007 fiz parte da equipe de atendimento em arteterapia integrada à psico-oncologia. Num primeiro momento, participei das sessões semanais de arteterapia com as crianças da casa (veja fotos aqui). Depois, entre agosto de 2005 e outubro de 2007, fui responsável pela Coordenação Geral do Projeto “Formas Marias de Ser”. Em 2008 voltei a atuar na Casa, agora no Projeto Maria Flor, que visa a proporcionar às mulheres-mães algum cuidado - nesse momento de doença de seus filhos e afastamento da família e do ambiente sócio-cultural de origem -, bem como uma fonte de renda.
Posso dizer que o termo “voluntário” foi ganhando um sentido cada vez mais amplo para mim, não só na minha vida profissional como, principalmente, no âmbito pessoal — na medida em que fui me conscientizando de que o voluntariado exige tanto comprometimento e responsabilidade quanto o exercício de qualquer atividade profissional.
No convívio com mulheres pobres, algumas ex-moradoras de rua, catadoras de latinhas, vítimas de violência doméstica ou mesmo abuso sexual, descobri modelos de coragem, dignidade e fé, um verdadeiro aprendizado de vida e exercício de cidadania.
Ser voluntária, assim, tornou-se mais do que “agir espontaneamente”. Para mim, o voluntariado implica em aprender a viver um dia de cada vez e ampliar o olhar sobre o verdadeiro significado de palavras como dor, vida, resistência, luta.
Quem se propõe a trabalhar como voluntário pode ter certeza de que, no seu ato de doação, ganha muito mais a cada sorriso recebido, a cada brilho no olhar de alguém que até pouco antes estava chorando.

Rosângela
Voluntariado na Casa Ronald McDonald: participantes do Projeto Maria Flor